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23 février

Rua 48

     Passava das três da manhã quando foram ouvidas sirenes naquela pacata rua do subúrbio. A vizinhança logo apareceu na janela, caras e pijamas amarrotados. Duas viaturas da polícia estacionavam, rápidas, na frente do número trinta e cinco. Seis policiais, armas em punho, desceram correndo e se dirigiram à porta da casa, que jazia entreaberta.
     Era muita agitação para uma noite normal naquele bairro. Alguns vizinhos saíram para os jardins de suas casas, tentando ver alguma coisa. Aquela era a casa dos Cruz, muito respeitados na rua. O patriarca, seu Luís, era dono da maior padaria do setor, e toda sua família sempre tivera boas condições de vida.
     Alguns segundos se passam, e dois dos policiais saem da casa nauseados. Acabam vomitando no jardim mesmo, caem prostrados no chão e começam a chorar. Mais algum tempo, e outro policial sai, encosta-se na parede e respira profundamente, como que para aliviar o medo. Alguns vizinhos não conseguem controlar a interjeição de espanto, e o burburinho se inicia. O que poderia estar havendo naquela casa afinal?
     Uma luz se acendeu no segundo andar da casa, chamando a atenção das pessoas de fora. O amarelo que sai do lustre contrasta com o agora vísivel vermelho das janelas, um vermelho escuro, que cobria irregular os vidros. O policial olhou o quarto, e com um grito de terror, deixou a luz morrer.
22 février

Como o prometido...

Como eu havia prometido, aí está um texto meu... Opinem se quiserem...      
 
Conta-Gotas
 
 
        Ele olhava pela janela aquele céu chuvoso e sombrio. Era ainda meio da tarde, mas parecia próximo do anoitecer. Lá fora caía um temporal já havia algum tempo, e ele começava a ficar sonolento. Desviara o olhar dos afazeres por pouco tempo, apenas para descansar a cabeça, e já voltaria se não tivesse visto os pombinhos.
         Era um casal de pombinhos que se refugiava sobre um daqueles dutos de ventilação. A chuva forte castigava os telhados dos prédios, e os pombinhos ali se esconderam para se protegerm dos ventos e do frio. Estiveram voando por ali e acolá durante o horário do almoço, e agora repousavam, quase imóveis. A pombinha, aninhada no peito do macho, encolhia as pequenas asas, e o outro tentava obstruir a passagem do vento.
         O homem levantou-se de sua mesa, deixando por algum tempo o que fazia, e se aproximou da sacada. Apoiou os cotovelos sobre o parapeito, ignorando os pingos de chuva que lhe caíam sobre o rosto e braços, e ficou a olhar as aves. Sempre invejara os pombos que por ali se refugiavam, comendo migalhas nos restaurantes próximos. Provavelmente pela liberdade que possuíam, mas nem ele mesmo sabia dizer. Mas naquele dia estava particularmente feliz: considerava-se vantajoso perante os pombos, pois estava protegido das chuvas e de outras intempéries dentro do apartamento, enquanto aqueles tentavam não se molha, em vão. Quase ria por dentro com isso.
         Pouco tempo depois, ele ainda contemplava a situação, a chuva pareceu amainar um pouco. Os pombos, antes imóveis, moveram suas pequenas cabeças, de um lado para o outro, como que analisando o contexto. Afastaram-se então, sacudiram suas pequenas asas e saltaram, pegando altura em pouco tempo e planando. Em pouco tempo sumiram do campo de visão do homem, que tentara vigiá-los, como que torcendo para um acidente- uma queda repentina, um raio talvez. Mas nada aconteceu. O homem, ainda com os cotovelos no pequeno muro, voltou a fitar o céu, agora com raiva. Por que os pombos podiam arriscar-se daquele jeito, e ele não?
         Olhou para os lados, ninguém parecia vê-lo. Não queria alarde. Apoiou-se com cuidado no parapeito molhado, pisou numa cadeira próxima e subiu finalmente na beirada. Só aí notou a que altura se encontrava do chão lá embaixo. Tornou a olhar para o céu, as gotas lhe caindo cada vez mais brandas no rosto, molhando os seus olhos, se confundindo com lágrimas que começaram a surgir, aos borbotões. Sentiu uma imensa vontade de tentar voar, por mais ridículo que aquilo parecesse. Sentiu inveja de todos os malditos pombos que por ali ficavam, com seus arrulhos que pareciam gargalhadas, a rir de sua condição. Preparou-se para pular.
         A chuva foi diminuindo cada vez mais, alguns pombos já voltaram a voar por ali, e pararam no telhado oposto, como que olhando para ele, duvidando de sua coragem. As gotas já quase não caíam, já eram apenas uma pequena garoa, finíssima. Mais pombos juntavam-se no telhado oposto, o homem olhava para os pombos, olhava para o chão, lá embaixo, olhava para o, céu, de onde já não vinham mais gotas. Os arrulhos aumentaram, ele podia jurar que os pombos já somavam dezenas.
        Olhou para trás, para o escritório lá dentro, os livros, e sentiu medo. Talvez o medo de todo homem diante das grandes decisões, mas era um medo sombrio, que lhe tomara de assalto a mente com uma necessidade urgente de sair dali. Desceu, com muito mais cuidado do que subira, do parapeito e afastou-se da beirada. Encostou no grande vidro da porta da sacada, ainda olhando os pombos. Sentiu vergonha de sua covardia, mas abriu a porta e entrou definitivamente, ouvindo arrulhos que cada vez mais lhe pareciam de desapontamento.
9 février

Jornalismo em blogs?

Meu amigo Jezuis fez um comentário que me fez lembrar algo. Ultimamente muitos jornalistas têm optado pela utilização dos blogs como laboratório de trabalho. A onda dos blogs já rendeu inclusive reportagem de capa em uma importante semanário nacional, e concordo. O meio acadêmico ainda tem dificuldade de compreender a magnitude da internet como mídia (tanto que não há na Universidade uma disciplina relacionada a esse meio) e por isso os profissionais que estão sendo formados agora, se não forem espertos, provavelmente perderão uma excelente chance.
 
Infelizmente, nos blogs nós vemos com ainda mais impacto um problema grave da imprensa: qualidade de informação. Não há controle, então qualquer coisa q se diz é considerada informação, muitas vezes defendida como totalmente necessária e fundamental para a sociedade. Qual a importância para mim da vida social de um artista qualquer, ou se um deputado tem uma amante? Qual a importância disso para a sociedade? Vejam bem, não estou defendendo a censura. Censura pressupõe a não-publicação de um artigo que incomode um determinado grupo de pessoas, mesmo que esta seja de fundamental importância para a sociedade. Defendo sim um melhor controle e seleção do que será publicado. Infelizmente os blogs vêm no sentido contrário a essa concepção. Afinal, se eu tenho um blog pessoal posso colocar qualquer informação que eu considere "legal", independente de sua qualidade ou importância. Se alguém não concordar, que deixe um comentário reclamando.
 
Peço desculpas aos poucos que lêem este espaço por tratar de tema tão chato. Confesso que não pretendia continuar a atualiar este espaço, mas percebi q uns poucos se dão ao trabalho de lê-lo, e agradeço por isso. Da próxima vez, trato de um tema mais divertido, ok? Abraços a todos.
6 février

Tudo tem um início

Bão, tava fazendo nada, resolvi criar esse MSN Space aqui, mas sem muita vontade de começar, o que dirá de atualizá-lo... De vez em quando quem sabe eu não posto qqer coisa aqui? Por hora, fiquem com essa bela citação, vinda diretamente de "South Park: Bigger, Longer and Uncut" : Não há bem se não houver mal, e alguém sempre terá de desepenhar este papel.