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16 mars

Corredor

Peço desculpas pelo texto, demasiado longo. Se tiverem paciência de ler e comentar, agradeço. E obrigado aos que frequentam este blog frequentemente. Vocês alegram as minhas raras noites de festa...
 
Corredor
 
       Levantou-se com dificuldade. Os anos pesavam-lhe nos joelhos, e mesmo o ato simples de sair do catre para ir ao banheiro era a atividade mais incômoda da noite. Apoiou-se no criado mudo, com força suficiente para levantar mas sem quebrar nenhum osso - não podia se dar ao luxo de uma fratura.Calçou as rotas chinelas de pano e arrastou-se até o banheiro.
      O corredor lhe parecia muito mais longo do que a última vez. Passava pelos velhos quadros quando se deparou com um em especial. Era uma jovem senhorita, sentada entre as flores de um jardim. Ao fundo uma cabana, onde uma pequena nuvem de fumaça saía pela chaminé. Ele não se lembrava daquele quadro da última vez que passara ali, mas olhou para o corredor e deu de ombros. Andou com cuidado no banheiro - a última coisa que queria era um tombo. Quanto tempo os paramédicos demorariam a chegar?
      Voltava devagar, quando passou pelo mesmo quadro de antes. Estranho, parecia que algo tinha mudado. A senhorita agora estava na porta da cabana, a fumaça que saía da chaminé era maior. Mas isso é uma absurdo! Quadros não se mexem! Olhou com mais cuidado e a moça não estava mais na porta - passava por uma janelinha, como que atravessando a cabana.
      Deu alguns passos atrás. Aquilo era muito estranho, muito esquisito. Sempre se orgulhara de manter sua sanidade apesar da idade, aquilo não era real, não era! Esfregou os olhos, como se aquilo funcionasse. E saiu apressado, quase tropeçando nas sandálias, rumo ao quarto. Deitou num gesto brusco, e ouviu um rangido. Tomara que seja o catre, tomara que seja o catre. Rolou um pouco e não sentiu dor. Aliviado, dormiu.
     Quando acordou no outro dia, já era tarde. Para ele, os conceitos de manhã, tarde e noite quase não faziam mais diferença, mas sim a hora que ele teria de levantar e ir até o banheirou ou a cozinha. Pegou a nota de jornal que lera nos últimos anos, repetiu o ritual de sempre, procurou as chinelas com a mão. Não as encontrou. Encurvou um pouco o corpo e procurou, dessa vez com os olhos. Não encontrou. Resolveu ir sem as chinelas mesmo, apesar de quase desistir da idéia ao sentir o chão frio. Continuou se arrastando para o banheiro. Por curiosidade, ao passar em frente ao quadro do dia anterior não viu a mulher. A cabana continuava lá, mas não havia fumaça alguma saindo pela chaminé.
     - Você demorou.
     Olhou para o lado. A mulher do quadro estava sentada na poltrona empoeirada. E calçava suas chinelas.
     - Quem é você? - avançou com cuidado rumo à mulher, temendo qualquer coisa, por mais estranho que isso pudesse parecer, se tratando de tão bela senhorita.
     - Vim vê-lo um pouco. Todos os dias você passava em frente ao meu quadro, achei que já era hora de fazê-lo uma visita. E levá-lo ao seu real lugar. Venha. - deu-lhe a mão para acompanhá-la. Ele segurou com força, até desmaiar.
     Ninguém atendeu a campainha. Durante anos.

Desculpas

Bom, antes de qualquer coisa eu queria agradecer à Vanessa por ter traduzido a letra da música que eu coloquei (meu último post quase pré-histórico). Vlew, Van! E bom, eu peço desculpas por não estar atualizando direito o blog- final de semestre na faculdade é fogo... Mas prometo que hoje à noite eu coloco outro texto meu, para vcs lerem e rirem da minha cara... Sem mais, despeço-me, caros leitores!
2 mars

Hurt

Não estou muito a fim de colocar nada meu, então resolvi deixar com vocês a letra de uma das músicas que mais tenho ouvido recentemente. Ela é do Nine Inch Nails, mas eu tenho ouvido a versão do Johnny Cash, que considero muito melhor (sem dúvida...). Pensei em traduzir, mas não estou num momento muito bom... Sem mais, despeço-me, caros leitores.
 
Hurt (Nine Inch Nails)
 
 I hurt myself today
To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that's real
The needle tears a hole
The old familiar sting
I try to kill it all away
But I remember everything
What have I become
My sweetest friend?
Everyone I know
Goes away in the end
You could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt
I wear this crown of shit
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I cannot repair
Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here
What have I become
My sweetest friend?
Everyone I know
Goes away in the end
You could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt
If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way