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30 septembre A alemã- Passa o açúcar, por favor?
- Como é?
- O açúcar. Passa.
Ela me olhava incrédulo. Com gestos estabanados e obviamente irritada, ela me entrega o açucareiro.
- Você é simplesmente inacreditável. Eu aqui, morrendo de raiva e querendo conversar com você sobre o que você fez comigo, e você me pedeo açúcar! Inacreditável!
Eu ignoro. A pior coisa que eu posso fazer é entrar no jogo dela.
- Não sei porque toda essa fúria. Essas coisas acontecem.
- Não, não acontecem! - ela eleva perigosamente o tom de voz. Maldição. As pessoas em volta começam a notar. E comentar.
- Fala baixo...
- Fala baixo o escambau. Quero mais é que todo mundo ouça e vejam que canalha você é!
Pronto. Já foi. Sinto que vou reagir, mas me contenho mais uma vez. Abaixo levemente a cabeça e começo a colocar açúcar no meu café.
- Não me ignore! Você sabe que eu odeio quando você faz isso!
Alívio. Pelo menos ela diminuiu o tom de voz. É tarde, eu sei, todo mundo já está com as atenções focadas em nossa mesa.
- Querida...
- Não me chama de querida!
- Ok, Cíntia. Olha só, deixa eu te explicar uma coisa. No mundo ideal, em que você vive, todo mundo é perfeito. No mundo real, onde eu e o resto das pessoas vivemos, é diferente. Às vezes lapsos morais acontecem, todo mundo passa por isso. Vai me dizer que você nunca deu uma mancada dessas na vida?
Levanto o olhar da minha xícara. Ela está de cabeça meio baixa, os cabelos cobrindo o rosto. Gotículas escorrem por seu rosto, e pingam na mesa. É minha deixa.
- Olha pra mim. - eu seguro seu queixo com dois dedos, suave. Ela levanta devagar os olhos. - Me desculpa? Por favor? Não foi por querer, você sabe como eu sou. Às vezes eu não me contenho, eu sou... impetuoso.
- Mas você não tinha direito... - ela soluça - Você não tinha direito de fazer isso comigo. Você sabe como era importante para mim. E agora, acabou. Por sua causa!
O tom é de irritação, mas sinto que estou no caminho da vitória. Eu diria... setenta e cinco por cento de chance de perdão. Mas é a hora crítica, a frase errada e nunca mais...
- Eu sei. Mas estou aqui do seu lado, não estou? Porque eu te amo. Foi um lapso, eu juro. Não devia ter agido daquele jeito. Mas foi só uma vez. Nunca mais vai se repetir.
Ela se enlaça nos meus braços.
- Você promete?
- Prometo.
- Eu acredito em você.
- Obrigado. Eu te amo.
- Também te amo. - ela começa a limpar o rosto. - Droga, borrei a maquiagem inteira. Vou ao banheiro limpar.
Ela se levanta da mesa, e vai ao banheiro. Eu começo a tomar meu café, com um leve sorriso no rosto. Até notar o homem da mesa ao lado, que me olha espantado.
- Rapaz, você é bom. Dobrou ela rápido. Mas, afinal de contas, o que você fez de tão grave?
Dou um sorriso leve.
- Namorada fresca, sabe como é. Fez todo esse escândalo só porque comi um pedaço de torta que ela estava guardando para quando acabasse a dieta. Tem lógica?
- Sério? - o homem ao lado solta uma gargalhada, baixinho.
- Pois é... Quero ver a cara dela quando descobrir que a traí com a mãe e a irmã ao mesmo tempo.
Ela volta à mesa. Eu me levanto, deixo algumas moedas para o café sobre a mesa.
- Vamos, amor?
- Vamos.
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