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19 septembre

Marcelinho, o Opinioso, comenta: Gilmar, o opinioso

 
Começo a achar que esse blog vai virar uma eterna sessão de "Marcelinho, o opinioso, comenta". O que, aliás, me leva a crer que eu merça o título. O fato é que perdi a paciência, simplesmente não aguento mais ler sem falar nada a tantas declarações diárias do meretíssimo presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Pelo amor de Deus, alguém faça o homem parar!
 
Aposto com qualquer um que todos os dias os jornais publicam pelo menos uma declaração do ministro. O que leva à grande questão: terá ele tanto assim a falar? Sei que é um magistrado brilhante, um dos grandes estudiosos do direito constitucional do país, entre outras coisas, mas presumir que por isso ele possa comentar tudo... é exagero. Por essa lógica, não deveríamos ter reclamado quando o goleiro Julio César criticou o presidente Lula- ele também é importante, a seu modo, para a nação! Conhecimento não é motivo para demonstrações de saber. Ainda mais quando ninguém te perguntou nada.
 
Ver o homem falar todo dia me ensina valorosas lições sobre como agir em minha vida pessoal. Começo a perceber como meus comentários constantes provavelmente irritam quem acha que eu deveria simplesmente calar minha grande boca em alguns momentos. Percebo também que ser presidente do STF te dá a visibilidade necessária para ser ouvido sem muita contestação, o que confunde quem vê o presidente Lula ser contradito a cada 5 ou 6 minutos na imprensa. Não estou defendendo o presidente, de fato ele fala muita bobagem às vezes, mas não concordo que existam dois pesos e duas medidas: o único que teve peito até agora para peitar Gilmarzão foi o procurador-geral. E mesmo assim receoso, sem bater de frente.
 
Algumas pessoas me disseram que como presidente do STF é prerrogativa dele falar o que achar necessário. Não concordo, e assim como o tribunal, me baseio em jurisprudência. Alguém lembra a última opinião polêmica da Ellen Grace, ministra que acabou de deixar o posto? Não, porque ela agia como o poder judiciário: quando solicitada. Agora não: "pê" da vida com a história dos grampos, Gilmar pegou o carro e junto com outros dois ministros foi até o Palácio do Planalto cobrar uma explicação de Lula. Se acontece o contrário já tinham tirado o Lula do lugar.
 
Aliás, acho que é isso que me irrita mais. Perceber que ninguém quer contrariar o cara. Todo dia ele fala algo, critica Deus e o mundo, legisla através do STF ou do CNJ e ninguém fala nada. Eu não sei se é medo, ou se as pessoas preferem agir com ele como agem comigo: "não adianta discutir, ele não vai mudar mesmo". Espero que não seja isso. Sinceramente. Ou a democracia que o Gilmar tanto defende e aprecia estará indo para o ralo.
17 septembre

Marcelinho, o Opinioso, comenta: Crise Americana

 
Quem leu o último post entenderá o título desse post, quem não leu que leia (vai ter que procurar, não sei colocar link aqui). Mas resolvi que de agora em diante, sempre que for dar minha opinião "altamente gabaritada" sobre assuntos de atualidades o post terá esse subtítulo de "Marcelinho, o Opinioso, comenta". É o apelido carinhoso (ã-rã) que recebi no trabalho pela quantidade absurda de manifestações diárias que faço sobre os assuntos mais variados. E essa última frase é basicamente um grande resumo do post anterior.
 
O fato é que começo a achar que fica feio para um jornalista blogueiro não comentar eventualmente assuntos mais atuais e interessantes do que a própria vida. Sei que provavelmente meus valorosos leitores estarão mais interessados em minha vida do que nas tragédias mundiais diárias, mas dane-se. Quem manda aqui sou eu, e eu decido que vou falar sobre fatos e pronto. Oras.
 
Começo essa seção justamente com o tema do momento: a crise americana. Perguntará meu desavisado leitor: "que crise?" Pois foi exatamente essa pergunta que fez nosso presidente Lula quando indagado sobre o tema. Quando explicaram, mandou ele que perguntásemos ao Bush. Como se eu quisesse falar com ele. E como se ele soubesse do que se trata também. O fato é que ninguém tem muita certeza sobre nada na história inteira, e isso já vem lá do começo da coisa toda, no ano passado. O que torna bastante improvável que o Lula esteja falando sério ao dar a entender que não sabe de nada.
 
Em síntese, a coisa toda começou com a ganância típica dos bancos. Lá pelas tantas, cansados de emprestar dinheiro para quem pagava, alguns bancos ianques passaram a emprestar também para quem tinha nome no Serasa. E que, como já tava ferrado mesmo, topava pagar mais caro pela grana. Só que aumentou a inflação, que o Banco Central americano precisou combater aumentando os juros. As casas que eram dadas como garantia foram para o saco, passaram a valer menos do que antes. E aí quem devia viu que não tinha como pagar e desistiu. Em efeito cascata, quem tinha emprestado foi se ferrando, e levando mais gente junto. Um monte de bancos e empresas foi quebrando ao longo do ano passado, e agora outras gigantes caíram também.
 
O primeiro resultado legal da história é o que pouca gente parou para pensar até agora: para resolver parte do problema, o governo americano está comprando partes de empresas que estavam indo à falência. É o maior governo capitalista do mundo estatizando o mercado para não quebrar. Marx, dividido entre vários vermes, deve estar morrendo de rir agora. E não estou comemorando de forma socialista: se tivesse tido mais cuidado e mais regulação do mercado antes (ou seja, feito a lição de casa como um liberal bonzinho), talvez o governo Bush não estivesse pagando o pato agora.
 
Outra coisa legal é ver na prática os efeitos da globalização: a crise que começou nos Estados Unidos arrastou para o buraco a Europa, o Japão e, de certo modo, países emergentes como Brasil e China. Em menor escala, é lógico, mas ainda assim vemos como a economia mundial é interligada. Particularmente, considero que a crise toda é a melhor demonstração possível de que algo defendido volta e meia por economistas, uma tal teoria do "deslocamento", não funciona muito bem. Dizem eles que os efeitos de problemas econômicos de um país não teriam tanta influência na de outros. Bobagem. Taí os japoneses encaminhados para um recessão que não me deixam mentir.
 
Pergunta meu incauto leitor agora, antes de desistir de toda essa bobagem e ir para algum site de pornografia por aí: "e eu com isso, tio?". Você? Você se prepare para aguentar o tranco, porque isso vai bater aqui. Aliás, já está batendo. Os grandes que têm que pagar lá fora estão tirando dinheiro é do Brasil, o que dá trabalho para nossa bolsa de valores. Hora mais hora menos isso vai resultar em problemas na taxa de câmbio e na inflação, e vai sobrar para o seu bolso, porque vai ficar mais caro desde o arroz com feijão até o carro financiado e o Ipod comprado legalmente (ã-rã). Por sorte, e nisso o governo não está mentindo, estamos bem preparados para o troço todo. Vai doer menos, o que não significa que vá ser só um raladinho. Pelo menos não vai ser uma facada no rim, como foram as crises de 1930 e de 2001.
 
16 septembre

Marcelinho, o opinioso

 

            Um colega de trabalho, o qual respeito muito, definiu-me recentemente como “Marcelinho, o opinioso”. E como tal subtítulo revelou-se estranhamente popular na redação, optei por bancar o advogado do diabo sobre o tema dessa vez. A única parte chata é a alcunha demoníaca que a mim passo a atribuir a partir de agora.

            Sou considerado opinioso pelo respeitável jornalista que comigo trabalha, segundo ele, pela grande quantidade de opiniões sobre os mais variados temas que profiro ao longo do dia, nas mais diversas oportunidades. Começo a tarde comentando as repercussões da crise americana na economia, discuto a crise dos grampos no decorrer da tarde para encerrar o dia com um malicioso comentário acerca do recém-criado LHC e suas conseqüências para o desenvolvimento tecnológico de nosso mundo.

            Concordo que às vezes eu fale demais, mas se existe algo característico do ser humano é a habilidade de deduzir as coisas a partir de um raciocínio engendrado. Macacos pensam pouco e agem muito, porque se baseiam em seus instintos. São reações muitas vezes desenvolvidas ao longo do tempo por conseqüências freqüentes de seus atos. Os seres humanos também têm isso, mas com um adendo: a capacidade de analisar. Raciocinamos a partir das evidências, dos fatos, antes de concluir as coisas. E é natural que desejemos exercer, ao final de tão penoso processo, nosso direito natural de tornar públicas nossas conclusões.

            Responde meu admirável colega que tenho conclusões demais para pouca análise, ou seja, deixa implícito que eu raciocine menos do que deveria. Ora, nada posso fazer se, de posse das informações, ponho-me a pensar intensamente. Não conheço ninguém que pense devagar, pelo contrário, é da natureza do pensar a velocidade absurda. Se por acaso faço isso de forma mais veloz do que outros, não há muito que eu possa fazer. Pode-se argumentar que meu problema seja na base: talvez as informações de que disponho ao começar meu raciocínio sejam insuficientes. Mas se formos pensar assim, provavelmente nunca teremos todas as informações necessárias para tudo, tendo sempre raciocínios incompletos.

            Também gosto de deixar claro que não defendo em momento algum que o penso ou concluo das coisas esteja sempre certo. Posso ser arrogante e pretensioso muitas vezes, mas não nisso. Sei que estou errado na maior parte do tempo, mas não acho que isso deva ser impeditivo. Gosto de falar, em resposta às acusações, que “é melhor ter opinião demais do que não ter”, o que defendo com unhas e dentes. Acredito que pior do que pecar por excesso, nesse caso, é preferir guardar o que pensa dentro de si apesar de discordar. Se fizermos isso, deixaremos de errar, mas nunca teremos a chance de acertar. E aí, aquele “opinioso” que volta e meia dá palpite fala alguma coisa, tem sorte e fica bonito na fita. E nem criticar a glória pouco merecida podemos.