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Parreira Veloso Júnior Marcelo

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Crítico incorrigível, sarcástico ao extremo e palhaço de rodinhas de amigos
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Alface, o Breve

11月8日

Tempos de Mudança

 
Os Estados Unidos elegeram o primeiro presidente negro, em uma eleição histórica. São tempos de mudança, como anunciou o vitorioso, e eu entro na onda. Para quem não sabe, troquei de blog e agora estou dando minhas opiniões em http://oopinioso.wordpress.com . Marcelinho, o Opinioso, de cara nova. YES, WE CAN!
10月15日

Marcelinho, o Opinioso, comenta: "É casado? Tem filhos?"

 
Estourou minha cota de paciência com bobagens da imprensa a história da propaganda eleitoral da Marta Suplicy sobre a vida pessal do Kassab. Sério. Tanto que resolvi voltar à seção "Marcelinho, o Opinioso, comenta" para tratar do tema. Não que seja exatamente um sacrifício dar minha opinião sobre isso. Mas esse espaço é mais como um alívio catártico, um cantinho que me permite desabafar e desestressar sem gastar fortunas com terapia.
 
Quem não sabe do que estou falando precisa ler mais jornais ou frequentar mais sites de notícias na internet. Não se falou de outro assunto essa semana. Acontece que na volta do horário eleitoral gratuito para o segundo turno da eleição para a prefeitura de São Paulo, a candidata do PT Marta Suplicy trouxe uma inserção em que um locutor perguntava, entre outras coisas, se o o eleitor sabia se o outro candidato, Gilberto Kassab (do DEM) era casado e se tinha filhos. Em resumo, a peça tratava do passado de Kassab, no qual a campanha de Marta está se focando agora, discutindo suas antigas ligações políticas.
 
De repente, começou o chilique. Por que? Porque algumas pessoas interpretaram que na verdade a pergunta era uma forma subliminar de se questionar a sexualidade do candidato à reeleição. É importante esclarecer que esse tipo de boato sempre existe, mais nas redações do que entre o povo propriamente dito. Jornalista é cheio de citar comentários maldosos que ouviu de inimigos ou mesmo de amigos de políticos. Nesse caso não podia ser diferente, mas a coisa extrapolou para as manchetes e se tornou o novo escândalo. Parodiando Titãs, "o maior escândalo dos últimos tempos da última semana". Editoriais terríveis, colunistas em polvorosa e gente decretando que isso manchará para sempre a carreira de Marta.
 
Nossas avós sempre disseram que muitas vezes a maldade está nos olhos de quem vê. Acho que aqui é disso que se trata, mas com um pouquinho de interesse escuso envolvido. Corro o risco de ser já imediatamente tachado de petista (ou pior, de petralha), mas me arrisco a analisar o fato. É realmente importante saber se um candidato a prefeito é solteiro, casado, viúvo ou namora? Nem um pouco. Isso não quer dizer, no entanto, que sua vida pessoal não seja importante. Homem público nunca terá uma vida pessoal completamente dissociada de sua carreira. Isso pode se dar pelo envolvimento de coisas públicas com o o privado (caso do ex-presidente do Senado Renan Calheiros) ou pelo simples fato de eventualmente segredos aflorarem. Quantas autoridades inglesas volta e meia não renunciam após aparecerem em algum tablóide com uma prostituta. Ou um michê?
 
Uma comparação ainda mais esdrúxula surgiu em outros momentos: comparou-se o fato ao episódio da eleição em 1989, quando Collor, vendo-se ameaçado por Lula, pagou para que a ex-mulher do atual presidente gravasse uma entrevista falando que Lula hava pedido que ela abortasse. Primeiro: aborto é bem diferente de opção sexual. Aborto é crime, e naquela época a sociedade era ainda menos tolerante com esse tipo de coisa. Além disso, a coisa foi completamente explícita. Agora, algumas pessoas que assistiram ao vídeo de Marta em fase de teste sequer consideraram a possbilidade de se estar discutindo os gostos de Kassab na cama. Obviamente não havia nenhum jornalista no grupo.
 
Me interessa saber se o Kassab é gay? Não. Mas se ele for, e se esconde isso, é problema meu? Pode ser. A idéia nesse caso é sempre discutir o que mais ele pode estar escondendo, e não se ele está ou não trancado em algum armário por aí . Políticos são hábeis na arte de ocultar rabos presos (com o perdão do trocadilho) de suas vidas pregressas. Nos Estados Unidos, o tão aclamado berço da democracia, praticamente toda disputa presidencial é cheia de dossiês e coisas arremessadas no ventilador. Aqui a gente tem uma tradição de jogo sujo só por baixo do tapete, deixando para a tela da televisão só sorrisos e propostas. Marta errou? Errou. Em campanha ganha quem consegue prever o máximo de movimentos à frente, como no xadrez. Isso tem que incluir mal-entendidos e interpretaões bizarras da mídia. Cochilar nisso pode ter custado a ela a chance de se eleger.
10月7日

"Rastafáris" no porão

 
Meu vizinho fuma maconha. Não ia nem falar sobre o assunto, mas quando me preparava para escrever mais uma obra prima de análise econômica senti o cheiro subindo pela varanda. Sim, é o vizinho do apartamento de baixo. E ele fuma praticamente toda noite, o que explica um pouco melhor minha revolta em relação ao tema. E talvez as piadas que eventualmente escrevo por aqui à noite e não acho a menor graça no dia seguinte.
 
Não sou careta. Conheço muita gente que já fumou, fuma às vezes ou fuma regularmente. Não me importo, acho que cada um faz o que quer. E nem começo com discursinhos como "se quer destruir o próprio pulmão e o cérebro é problema dele". Sério, não me importo mesmo. Desde que não suba pela minha varanda toda noite. E é como se ele fizesse questão de colocar um ventilador, mandando a fumaça para fora e a colocando diretamente em rota de colisão com meu apartamento. E aí ele fica com o que aparentemente leva todo mundo ao consumo, que é o barato, e para mim sobra só o cheiro incômodo. Não que eu quisesse trocar de papéis, eu simplesmente preferia que eles não existissem.
 
Talvez eu não devesse tornar a história inteira pública. Não tenho prova nenhuma do que falo, exceto talvez o depoimento de alguém que já frequentou suficientemente festas de faculdades de humanas para identificar esse tipo de coisa no ar. Talvez nem seja o vizinho exatamente abaixo, pode ser o de algum outro apartamento do andar, ou mesmo alguém do meu andar que aproveita uma anomalia nas correntes de ar que circulam o prédio para infernizar minhas noites. Provavelmente é o rapaz do saxofone, que de vez em quando resolve ensaiar nas manhãs de finais de semanas. Um me dá sono, o outro me acorda - uma bela dupla, diga-se de passagem.
 
Volta e meia me perguntam o que penso da descriminalização da maconha. Como se minha opinião fosse importante, ou como se eu fosse fazer campanha para qualquer um dos dois lados. Uns argumentam que o tráfico alimenta o crime, outros que se fosse liberado teríamos uma quantidade de viciados semelhante à dos cigarros normais, mas com uma substância mais nciva. Para ser sincero, não ligo muito. Desde que não aumente a quantade de fumaça chata entrando no meu quarto toda noite!
10月1日

De 0 a 10

 
O ser humano classifica tudo. Sempre classificou. Não estou falando de nada científico, como tabelas periódicas ou números primos. Estou falando de coisas banais, como dar notas para jogadores de futebol após uma partida, a hamonia de uma escola de samba ou mesmo nádegas (a popular bunda) que eventualmente passam em frente a uma mesa de bar. Somos sempre tentados a dar valores numéricos às coisas, ou separá-las em categorias por cheiro, tamanho, forma, cor. Pensamos que podemos controlar o que classificamos, mesmo que sejam furacões devastadores. Como se a natureza se importasse com a escala Richter na hora de sacolejar o Japão.
 
Às vezes chegamos ao absurdo de querer analisar coisas abstratas. Emoções. Inteligência. Testes de QI são particularmente perturbadores para mim - com um 100 você é normal, abaixo você tem problemas, acima você é superdotado. Curioso é que um 140 não garante a você ser popular na escola, ou pelo menos amizades. Talvez porque o número não esteja na sua testa, ou talvez porque medir algo assim seja tão bizarro que a natureza faz questão de te castigar com a solidão eterna. Medimos até a dor - nunca passei por um parto, mas me dizem os médicos que o sofrimento de ter algo de alguns quilos saindo de você equivale ao de um infarto ou de problemas no dente.
 
Comecei a pensar recentemente em outras possibilidades igualmente esdrúxulas, como classificar nosso nível de felicidade, por exemplo. Sempre acreditei que felicidade é o nome bonito dado a um estado de alegria que dura mais do que o esperado. Como se a dopamina que permeia nosso cérebro em momentos de prazer demorasse um pouco mais do que o normal para ser metabolizada. De qualquer forma, imagino uma pesquisa em escala mundial, ou pelo menos nacional, sobre quão feliz um indivíduo se sente. Isso poderia contar pontos na escola, em entrevistas de emprego, entre outras. É uma idéia.
 
- Com licença, senhor.
- Pois não?
- Estamos fazendo uma pesquisa sobre o nível de felicidade das pessoas. O senhor se importa de participar?
- Olha, adoraria, mas estou um pouco ocupado agora...
- O senhor é feliz em sua vida profissional?
- Ahn... Bem, às vezes eu me atraso, mas é que eu  enrolo um pouco para deixar meu filho na escola e...
- Hum... (anotando algo no papel)
- Ei, o que você está escrevendo aí?
- Nada, nada.
- Você anotou alguma coisa aí sim, que eu vi. O que é?
- Calma, calma. Que nota de 0 a 10 daria para seu nível de tolerância? O senhor sempre fica irritado assim facilmente?
- Eu não estou irritado! Só quero saber...
- Hum... (anota novamenta algo no papel)
- Ei, o que você escreveu agora? Eu disse que não quero participar da pesquisa!
- Tudo bem, eu entendi. É comum o senhor não querer ajudar outra pessoa que precise? Entre péssimo, ruim, regular, bom e ótimo, como o senhor classifica o seu nível de altruísmo?
- Eu só não quero participar dessa pesquisa!
- Hum... (anota)
- Olha só, eu estou fora! Já disse que não quero participar e não vou. Passar bem!
- Claro, claro. Obrigado! (e continua baixinho) Problemas no trabalho, culpa a família, se irrita com facilidade, pouco solidário. Vou dar um 3.
 
É, talvez não desse muito certo. Pelo menos  eu passaria de ano. Por pouco, mas passaria.
9月19日

Marcelinho, o Opinioso, comenta: Gilmar, o opinioso

 
Começo a achar que esse blog vai virar uma eterna sessão de "Marcelinho, o opinioso, comenta". O que, aliás, me leva a crer que eu merça o título. O fato é que perdi a paciência, simplesmente não aguento mais ler sem falar nada a tantas declarações diárias do meretíssimo presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Pelo amor de Deus, alguém faça o homem parar!
 
Aposto com qualquer um que todos os dias os jornais publicam pelo menos uma declaração do ministro. O que leva à grande questão: terá ele tanto assim a falar? Sei que é um magistrado brilhante, um dos grandes estudiosos do direito constitucional do país, entre outras coisas, mas presumir que por isso ele possa comentar tudo... é exagero. Por essa lógica, não deveríamos ter reclamado quando o goleiro Julio César criticou o presidente Lula- ele também é importante, a seu modo, para a nação! Conhecimento não é motivo para demonstrações de saber. Ainda mais quando ninguém te perguntou nada.
 
Ver o homem falar todo dia me ensina valorosas lições sobre como agir em minha vida pessoal. Começo a perceber como meus comentários constantes provavelmente irritam quem acha que eu deveria simplesmente calar minha grande boca em alguns momentos. Percebo também que ser presidente do STF te dá a visibilidade necessária para ser ouvido sem muita contestação, o que confunde quem vê o presidente Lula ser contradito a cada 5 ou 6 minutos na imprensa. Não estou defendendo o presidente, de fato ele fala muita bobagem às vezes, mas não concordo que existam dois pesos e duas medidas: o único que teve peito até agora para peitar Gilmarzão foi o procurador-geral. E mesmo assim receoso, sem bater de frente.
 
Algumas pessoas me disseram que como presidente do STF é prerrogativa dele falar o que achar necessário. Não concordo, e assim como o tribunal, me baseio em jurisprudência. Alguém lembra a última opinião polêmica da Ellen Grace, ministra que acabou de deixar o posto? Não, porque ela agia como o poder judiciário: quando solicitada. Agora não: "pê" da vida com a história dos grampos, Gilmar pegou o carro e junto com outros dois ministros foi até o Palácio do Planalto cobrar uma explicação de Lula. Se acontece o contrário já tinham tirado o Lula do lugar.
 
Aliás, acho que é isso que me irrita mais. Perceber que ninguém quer contrariar o cara. Todo dia ele fala algo, critica Deus e o mundo, legisla através do STF ou do CNJ e ninguém fala nada. Eu não sei se é medo, ou se as pessoas preferem agir com ele como agem comigo: "não adianta discutir, ele não vai mudar mesmo". Espero que não seja isso. Sinceramente. Ou a democracia que o Gilmar tanto defende e aprecia estará indo para o ralo.
9月17日

Marcelinho, o Opinioso, comenta: Crise Americana

 
Quem leu o último post entenderá o título desse post, quem não leu que leia (vai ter que procurar, não sei colocar link aqui). Mas resolvi que de agora em diante, sempre que for dar minha opinião "altamente gabaritada" sobre assuntos de atualidades o post terá esse subtítulo de "Marcelinho, o Opinioso, comenta". É o apelido carinhoso (ã-rã) que recebi no trabalho pela quantidade absurda de manifestações diárias que faço sobre os assuntos mais variados. E essa última frase é basicamente um grande resumo do post anterior.
 
O fato é que começo a achar que fica feio para um jornalista blogueiro não comentar eventualmente assuntos mais atuais e interessantes do que a própria vida. Sei que provavelmente meus valorosos leitores estarão mais interessados em minha vida do que nas tragédias mundiais diárias, mas dane-se. Quem manda aqui sou eu, e eu decido que vou falar sobre fatos e pronto. Oras.
 
Começo essa seção justamente com o tema do momento: a crise americana. Perguntará meu desavisado leitor: "que crise?" Pois foi exatamente essa pergunta que fez nosso presidente Lula quando indagado sobre o tema. Quando explicaram, mandou ele que perguntásemos ao Bush. Como se eu quisesse falar com ele. E como se ele soubesse do que se trata também. O fato é que ninguém tem muita certeza sobre nada na história inteira, e isso já vem lá do começo da coisa toda, no ano passado. O que torna bastante improvável que o Lula esteja falando sério ao dar a entender que não sabe de nada.
 
Em síntese, a coisa toda começou com a ganância típica dos bancos. Lá pelas tantas, cansados de emprestar dinheiro para quem pagava, alguns bancos ianques passaram a emprestar também para quem tinha nome no Serasa. E que, como já tava ferrado mesmo, topava pagar mais caro pela grana. Só que aumentou a inflação, que o Banco Central americano precisou combater aumentando os juros. As casas que eram dadas como garantia foram para o saco, passaram a valer menos do que antes. E aí quem devia viu que não tinha como pagar e desistiu. Em efeito cascata, quem tinha emprestado foi se ferrando, e levando mais gente junto. Um monte de bancos e empresas foi quebrando ao longo do ano passado, e agora outras gigantes caíram também.
 
O primeiro resultado legal da história é o que pouca gente parou para pensar até agora: para resolver parte do problema, o governo americano está comprando partes de empresas que estavam indo à falência. É o maior governo capitalista do mundo estatizando o mercado para não quebrar. Marx, dividido entre vários vermes, deve estar morrendo de rir agora. E não estou comemorando de forma socialista: se tivesse tido mais cuidado e mais regulação do mercado antes (ou seja, feito a lição de casa como um liberal bonzinho), talvez o governo Bush não estivesse pagando o pato agora.
 
Outra coisa legal é ver na prática os efeitos da globalização: a crise que começou nos Estados Unidos arrastou para o buraco a Europa, o Japão e, de certo modo, países emergentes como Brasil e China. Em menor escala, é lógico, mas ainda assim vemos como a economia mundial é interligada. Particularmente, considero que a crise toda é a melhor demonstração possível de que algo defendido volta e meia por economistas, uma tal teoria do "deslocamento", não funciona muito bem. Dizem eles que os efeitos de problemas econômicos de um país não teriam tanta influência na de outros. Bobagem. Taí os japoneses encaminhados para um recessão que não me deixam mentir.
 
Pergunta meu incauto leitor agora, antes de desistir de toda essa bobagem e ir para algum site de pornografia por aí: "e eu com isso, tio?". Você? Você se prepare para aguentar o tranco, porque isso vai bater aqui. Aliás, já está batendo. Os grandes que têm que pagar lá fora estão tirando dinheiro é do Brasil, o que dá trabalho para nossa bolsa de valores. Hora mais hora menos isso vai resultar em problemas na taxa de câmbio e na inflação, e vai sobrar para o seu bolso, porque vai ficar mais caro desde o arroz com feijão até o carro financiado e o Ipod comprado legalmente (ã-rã). Por sorte, e nisso o governo não está mentindo, estamos bem preparados para o troço todo. Vai doer menos, o que não significa que vá ser só um raladinho. Pelo menos não vai ser uma facada no rim, como foram as crises de 1930 e de 2001.
 
9月16日

Marcelinho, o opinioso

 

            Um colega de trabalho, o qual respeito muito, definiu-me recentemente como “Marcelinho, o opinioso”. E como tal subtítulo revelou-se estranhamente popular na redação, optei por bancar o advogado do diabo sobre o tema dessa vez. A única parte chata é a alcunha demoníaca que a mim passo a atribuir a partir de agora.

            Sou considerado opinioso pelo respeitável jornalista que comigo trabalha, segundo ele, pela grande quantidade de opiniões sobre os mais variados temas que profiro ao longo do dia, nas mais diversas oportunidades. Começo a tarde comentando as repercussões da crise americana na economia, discuto a crise dos grampos no decorrer da tarde para encerrar o dia com um malicioso comentário acerca do recém-criado LHC e suas conseqüências para o desenvolvimento tecnológico de nosso mundo.

            Concordo que às vezes eu fale demais, mas se existe algo característico do ser humano é a habilidade de deduzir as coisas a partir de um raciocínio engendrado. Macacos pensam pouco e agem muito, porque se baseiam em seus instintos. São reações muitas vezes desenvolvidas ao longo do tempo por conseqüências freqüentes de seus atos. Os seres humanos também têm isso, mas com um adendo: a capacidade de analisar. Raciocinamos a partir das evidências, dos fatos, antes de concluir as coisas. E é natural que desejemos exercer, ao final de tão penoso processo, nosso direito natural de tornar públicas nossas conclusões.

            Responde meu admirável colega que tenho conclusões demais para pouca análise, ou seja, deixa implícito que eu raciocine menos do que deveria. Ora, nada posso fazer se, de posse das informações, ponho-me a pensar intensamente. Não conheço ninguém que pense devagar, pelo contrário, é da natureza do pensar a velocidade absurda. Se por acaso faço isso de forma mais veloz do que outros, não há muito que eu possa fazer. Pode-se argumentar que meu problema seja na base: talvez as informações de que disponho ao começar meu raciocínio sejam insuficientes. Mas se formos pensar assim, provavelmente nunca teremos todas as informações necessárias para tudo, tendo sempre raciocínios incompletos.

            Também gosto de deixar claro que não defendo em momento algum que o penso ou concluo das coisas esteja sempre certo. Posso ser arrogante e pretensioso muitas vezes, mas não nisso. Sei que estou errado na maior parte do tempo, mas não acho que isso deva ser impeditivo. Gosto de falar, em resposta às acusações, que “é melhor ter opinião demais do que não ter”, o que defendo com unhas e dentes. Acredito que pior do que pecar por excesso, nesse caso, é preferir guardar o que pensa dentro de si apesar de discordar. Se fizermos isso, deixaremos de errar, mas nunca teremos a chance de acertar. E aí, aquele “opinioso” que volta e meia dá palpite fala alguma coisa, tem sorte e fica bonito na fita. E nem criticar a glória pouco merecida podemos.

 
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